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    Mundo Gamer • Geral

    Como escolher seu próximo game

    Luís Mascarenhas

    Luís Mascarenhas

    Redator

    21 de junho de 202611 min de leitura
    Como escolher seu próximo game

    Como todo bom gamer CLT, de uma coisa temos que concordar: os valores dos jogos aumentam mais do que o nosso poder de compra. Com isso, é necessário pensar em estratégias para sermos mais assertivos nos títulos em que investimos nosso dinheiro (e tempo), pois sabemos o quanto uma escolha ruim pode nos custar.

    Ao longo desta matéria, quero compartilhar com vocês o que me motiva a escolher um bom jogo. Claro que, por ser algo pessoal, pode ser que os pontos levantados a seguir não sejam eficientes para todos os tipos de gamer, mas uma coisa ou outra acredito que vai ajudar. Isso não garante que eu acerte em 100% das vezes, mas já evita aquela compra por impulso ou só porque um game está no “hype”.

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    Que tipo de Gamer você é?

    Antes de mais nada, é importante saber identificar quais são seus gostos pessoais em relação aos jogos, pois isso já elimina boa parte dos seus problemas.

    Se você curte jogos como EA SPORTS FC, Forza Horizon ou Tony Hawk's Pro Skater e joga casualmente com amigos e familiares, possivelmente não vai se interessar por games com histórias e gameplays muito longas como Final Fantasy ou Crimson Desert. Esses títulos possuem um ritmo mais lento e precisam de uma certa dedicação de tempo para que o jogador fique imerso em suas histórias, além de normalmente dependerem de um pouco de “grinding”.

    Particularmente, gosto de RPGs, metroidvanias ou games de ação com uma boa narrativa. Porém, sei que games no estilo “soulslike”, por mais que tenham essas características, não são para mim. É necessário investir um bom tempo nas mecânicas e estudar os movesets dos chefes para conseguir vencê-los e prosseguir na campanha.

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    Também é importante explorar subgêneros, pois com isso é possível aumentar seu leque de opções. Um exemplo recente para mim foi Baldur’s Gate 3. Por mais que seja um RPG, eu particularmente não me interessava por jogos com câmera isométrica (assim como Diablo), mas me arrisquei na compra e não me arrependo até hoje. Foram quase 300 horas de gameplay que nem vi passar e, se tivesse mais coisas para fazer, eu ainda estaria jogando!

    Antes de comprar, assista a gameplays

    Com o advento da internet, é muito fácil acharmos conteúdo de quase tudo, e isso inclui os jogos que você quer jogar. Sendo assim, é interessante assistir a gameplays para entender se a mecânica te agrada e se o jogo entrega aquilo que prometeu nos trailers e anúncios. Uma coisa é a demonstração da própria produtora do game (que normalmente é mais polida que o produto final) e outra é ver um streamer ou youtuber jogando a versão de lançamento.

    Outro ponto muito importante ao assistir a esses vídeos, caso o game seja um lançamento, é analisar se ele está polido — ou seja, se está “jogável” ou apresenta muitos bugs. Algumas produtoras precisam lançar os games em uma data específica, seja por pressão dos acionistas ou porque querem aproveitar uma certa janela de lançamento antes de uma grande IP sair.

    Um exemplo marcante foi a CD Projekt Red, que lançou Cyberpunk 2077 com graves problemas técnicos, o que fez até com que a PlayStation tirasse o game de sua loja digital até que as correções fossem feitas — sendo este um excelente game (depois de polido) do gênero de RPG, feito pela mesma empresa que produziu o incrível The Witcher 3: Wild Hunt.

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    Outras empresas já possuem uma certa fama de lançar jogos com problemas no primeiro dia (cof… cof… Ubisoft), mas costumam polir os títulos com o passar do tempo. Nesses casos, vale a pena esperar para jogar, além de economizar uma grana não pagando o preço cheio no lançamento.

    Existem canais que, além das gameplays, fazem análises completas. Porém, normalmente não costumo consumir esse tipo de conteúdo porque acredito que, por mais neutros que alguns desses analistas tentem ser, ainda existe uma opinião pessoal envolvida, o que pode nublar o seu próprio julgamento. Então assista aos vídeos de jogabilidade, verifique se a comunidade não está reclamando de falhas técnicas e, caso te agrade, compre, jogue e tire suas próprias conclusões.

    Tente não navegar no hype

    Jogos são lançados todo ano e praticamente em todos os meses temos algum game novo saindo. É tentador jogar os lançamentos porque eles estão em alta, o pessoal está comentando e sempre bate aquele FOMO (o medo de ficar de fora). Porém, além das novidades, existem excelentes games mais antigos que valem muito o seu tempo e dinheiro.

    Sempre que possível, procure por títulos de alguns anos atrás, pois com certeza eles estarão mais baratos. Isso ainda dá tempo para que os jogos novos fiquem polidos e baixem de preço.

    Não se prenda apenas aos gráficos. Jogos bons envelhecem como um bom vinho, então dê uma chance para os clássicos e divirta-se. Às vezes você pode estar perdendo uma experiência incrível por puro preconceito. Um exemplo pessoal foi quando eu estava jogando games da época do PlayStation 2 e decidi me interessar por um RPG de Super Nintendo chamado Chrono Trigger.

    Game icônico com o toque do Akira Toriyama
    Game icônico com o toque do Akira Toriyama

    Trata-se de um clássico da Square Enix (antiga Square) produzido em parceria por Hironobu Sakaguchi (criador de Final Fantasy), Yuji Horii (criador de Dragon Quest) e Akira Toriyama (criador de Dragon Ball), que ficaram conhecidos como o “Dream Team” e inspiraram vários outros jogos depois.

    Crie uma classificação do que você espera de um bom game

    Além de entender o tipo de gamer que você é, é importante mapear o que mais te atrai em um jogo. Dessa forma, fica claro em quais aspectos você deve prestar atenção ao assistir a uma gameplay.

    Fiz uma lista pessoal do que acho indispensável, mas fique à vontade para extrair os pontos que achar mais relevantes e incluir os seus próprios:

    Gameplay

    Aqui vale tanto o combate (caso o game tenha) quanto a mobilidade. Por mais que o jogo tenha um combate divertido, se a forma como você se locomove pelo mapa for travada, a experiência cansa. Claro que as duas características não precisam ser perfeitas ao mesmo tempo; vai depender exclusivamente da proposta.

    Em um game de mundo aberto ou metroidvania, a mecânica de movimentação precisa ser interessante, pois é o que o jogador vai fazer na maior parte do tempo. É diferente de um jogo linear, onde o combate e os conflitos precisam estar mais presentes.

    Um bom exemplo de mobilidade fluida é Marvel's Spider-Man, onde era comum eu ligar o console só para ficar balançando entre os prédios, sem necessariamente fazer missões, pelo simples fato de ser prazeroso (a ponto de raramente usar o Fast Travel). Em contrapartida, Metal Gear Solid de PS1, por ser mais linear, não necessita de saltos mirabolantes, mas foca em uma jogabilidade excelente para quem curte o gênero stealth. Agora, um título recente que une muito bem esses dois aspectos é Crimson Desert, trazendo combates brutais e uma locomoção bem dinâmica.

    Mundo

    Esse quesito leva em conta o quão vivo o ambiente parece, independente do estilo de arte. Analise como o mundo reage conforme o desenrolar das suas ações e se o jogo possui escolhas com consequências reais. Bons RPGs costumam ter esse aspecto mais proeminente e trazem histórias paralelas tão profundas quanto a principal, fazendo com que seu personagem realmente pertença àquele universo, e não pareça apenas um turista.

    Ótimos exemplos são The Witcher 3 e Baldur’s Gate 3, que possuem ecossistemas muito vivos e dezenas de ramificações que alteram os rumos da história.

    Em The Witcher 3 suas ações podem dizimar uma vila inteira
    Em The Witcher 3 suas ações podem dizimar uma vila inteira

    Progressão

    O primeiro ponto é a velocidade. Existem jogos de progressão mais lenta e outros de ritmo mais acelerado. Se você não gosta de ler muitos textos, assistir a longas cutscenes ou esperar introduções de 40 minutos antes da ação começar, evite RPGs densos. Prefira games focados no dinamismo ou títulos casuais, onde a lógica é pegar o controle, jogar por uma hora e desligar.

    O segundo ponto é o engajamento. Se a história for desinteressante, por mais que os gráficos sejam lindos, logo você vai abandonar o título. Franquias como Death Stranding possuem um ritmo cadenciado, mas compensam com narrativas que te prendem. Do outro lado, temos jogos como os da franquia God of War, que entregam uma jornada de ação hack'n slash muito mais direta, com momentos estratégicos de respiro.

    Estilo de arte

    Não existe estilo superior, existem propostas que combinam mais com certas narrativas. Você pode preferir o fotorrealismo de Red Dead Redemption 2, a beleza da pixel art de Sea of Stars, o charme 2D dos jogos modernos do Super Mario, a perspectiva isométrica estilizada de Hades ou o 3D clássico de Crash Bandicoot. Experimente direções de arte diferentes da sua zona de conforto; você pode se surpreender.

    O incrível Sea of Stars abusa de uma pixelart belíssima
    O incrível Sea of Stars abusa de uma pixelart belíssima

    Trilha sonora

    Assim como no cinema, a trilha sonora dita o tom da imersão. Ela precisa ser marcante e transmitir exatamente o sentimento de cada cenário. Antes dos jogos terem diálogos totalmente dublados, eram as composições musicais que conversavam com o jogador. Franquias como The Legend of Zelda, The Last of Us e Persona são referências absolutas nisso, criando faixas que levamos para a vida fora dos consoles.

    Missões secundárias

    Especialmente em mundos abertos, as side quests precisam ter qualidade. Isso garante que a existência daquele universo não gira apenas em torno do protagonista.

    Jogos que dominam essa mecânica criam situações inesquecíveis. Lembro até hoje de uma missão em The Witcher 3 onde cheguei a uma vila onde todos os moradores tinham sido transformados em porcos por causa de uma maldição — e poucos amigos meus que jogaram tinham encontrado essa missão específica! Cyberpunk 2077 e Red Dead Redemption 2 seguem o mesmo nível de excelência aqui.

    Personagem principal e NPCs

    Você vai passar horas na pele do protagonista, então ele precisa ser minimamente instigante — seja ele um herói clássico ou um anti-herói. É preciso entender e comprar suas motivações.

    Temos figuras marcantes como Jin Sakai (e a promissora Atsu) da franquia “Ghost”, movidos por códigos de honra e vingança; ou Geralt de Rivia, com sua postura cínica e soturna. Há também personagens em pura escala de cinza, como Joel em The Last of Us, onde é difícil julgar se suas ações são justificáveis. Em outros casos, a moralidade é moldada por nós, como o androide Connor em Detroit: Become Human.

    Atsu em Ghost of Yotei possui uma história incrível
    Atsu em Ghost of Yotei possui uma história incrível

    Os NPCs (personagens não jogáveis) também sustentam o universo. Seja um companheiro marcante como Astarion em Baldur’s Gate 3 (com o humor ácido brilhantemente interpretado por Neil Newbon), o icônico BB de Death Stranding, o misterioso Vincent Valentine de Final Fantasy VII, ou vilões inesquecíveis como Sephiroth e Higgs Monaghan (que retorna de forma fantástica na sequência Death Stranding 2: On the Beach).

    Sephiroth: um vilão com um passado sombrio
    Sephiroth: um vilão com um passado sombrio

    História principal

    A força motriz da jornada. Uma narrativa poderosa te motiva a passar daquela fase difícil só para descobrir o desfecho da saga. Red Dead Redemption 2 é lembrado por sua história emocionante, onde acompanhamos a dolorosa e brilhante trajetória de Arthur Morgan no fim do Velho Oeste. Outros jogos focam quase que exclusivamente na narrativa interativa, como os títulos da Quantic Dream (Heavy Rain, Beyond: Two Souls e Detroit: Become Human), que parecem filmes controlados por nós.

    Gráficos

    O importante aqui não é apenas o fotorrealismo, mas a direção de arte e a coerência estética. É aquele cenário que te faz parar, abrir o Modo Foto e tirar um print para usar como papel de parede.

    Crimson Desert impressiona com seus biomas exuberantes e cidades vivas desenvolvidas pela Pearl Abyss. No lado da ambientação histórica, Ghost of Tsushima e Ghost of Yotei utilizam a natureza do Japão de forma impecável. No universo estilizado, Super Mario Bros. Wonder renovou o visual do bigodudo no Nintendo Switch, enquanto Cuphead emula perfeitamente as animações de 1930 e Dragon Quest III HD-2D Remake mistura nostalgia com iluminação moderna de forma primorosa.

    Crimson Desert possui gráficos exuberantes
    Crimson Desert possui gráficos exuberantes

    Conclusão

    No fim das contas, o que importa é você se divertir, relaxar e passar um tempo de qualidade com o seu hobby favorito. Não existe certo ou errado, existe o que funciona para você.

    Espero que este guia ajude na sua próxima escolha! E se você tem alguma recomendação de jogo que descobriu usando táticas parecidas, deixa lá nos comentários do nosso post no Instagram, fechado? Um grande abraço e até a próxima!

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